segunda-feira, 26 de maio de 2008

Testemunho: Cássio Antestor




Era uma noite de sábado do ano de 1993. Havia deixado de sair com o pessoal headbanger para cumprir um compromisso com um amigo em ir a um show. Eu sabia que tratava-se de um evento cristão, e sem se importar com o que as pessoas poderiam dizer por lá, coloquei uma camiseta do SEPULTURA que na época estava estourando com o álbum "Arise" e parti. Ao chegar, vi que era um show gospel com uma banda chamada Kadosh. Contrário ao de muitos amigos, eu não tinha barreiras ideológicas. Poderia estar em um evento do Sarcófago (que a poucas semanas havia se apresentado no mesmo lugar em que estava) como também em um show de rock cristão. Musicalmente a banda não me supriu em nada por eu amar fielmente o metal pesado. Mas a minha presença valeu a pena pois o comportamento do pessoal e a receptividade que tiveram comigo foi algo que não havia visto ou sentido em qualquer outro lugar. Com um pouco de atrazo, o grupo apresentou um enorme cast de músicas e no final deu sua mensagem. Aquilo não me tocou a princípio, mas o que estava para marcar minha vida viria duas horas depois. O evento terminou, e como de praxe, meu amigo me apresentou outras pessoas agradáveis que me falaram de Jesus Cristo na porta do salão. Estava escutando todas aquelas palavras mas sem muito se importar devido à barreira que havia criado devido à convivência com meus amigos seculares. Era por volta de quase 01:00 da manhã. Me despedi do pessoal e desci um quarteirão abaixo que dá acesso a uma avenida principal, ao lado de uma escola chamada José Inácio. Estava frio, escuro e não podia se ver nenhuma alma viva por aquele lugar. Num total silêncio, fiquei em pé no ponto observando o final da avenida na expectativa de que um ônibus viesse. Poucos minutos se passaram, quando percebi que ao meu lado estava alguém. Ao olhar, vi uma senhora que aparentava ter 50 anos de idade. Ela estava ali, de repente, não vi ela chegar ou aparecer de algum lugar. Em uma das mãos, carregava um guarda-chuva fechado. Ao olhar em seus olhos, vi um sorriso que transmitia tranqüilidade e segurança. Era como uma pessoa que você poderia confiar plenamente. Com aquele sorriso idôneo, ela perguntou: - O que você faz aqui? Respondi: - Estou esperando o ônibus! Imediatamente ela respondeu: - Mas não há mais ônibus neste horário! Daí perguntei: - Nem "corujão"? E ela: - Não! Eu estiquei o pescoço para olhar para o final da avenida com o fim de certificar que realmente não havia mesmo nenhuma esperança de haver transporte naquele horário. Voltei-me imediatamente para aquela senhora quando ela desapareceu. Não havia mais ninguém comigo e não pude a ver embora. Rapidamente comecei a pensar sobre aquelas palavras que as pessoas haviam me dito sobre o cuidado de Deus e seu plano de redenção. Saí daquele local e percebi que a qualquer momento poderia ocorrer um assalto ou qualquer outra situação ruim. Cheguei em casa a pé, e sem me dar conta, naquele instante, que o rumo de minha vida mudou para sempre. Hoje eu acredito que os anjos estão presentes em nosso meio. Podem lutar por você em qualquer benefício solicitado nas orações, ou podem se materializar como aquela senhora naquela madrugada de 93.
Cássio Antestor é um dos direcionados da Extreme Records.

Fonte: Extreme Records.

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